ENTREVISTA  
ATTOMICA

João Paulo, Mario Sanefuji, Luciano Peru, João Márcio e André Rod.

O QUE DIZER DE UMA BANDA QUE VOCÊ JÁ PASSOU MUITO TEMPO ESCUTANDO, UMA BANDA QUE VOCÊ COLOCA O SOM PRA ROLAR  SE LEMBRANDO DE VELHOS TEMPOS E NÃO CONSEGUE FICAR SEM BATER CABEÇA ATÉ QUASE QUEBRAR O PESCOÇO? BOM, É NA POSIÇÃO DE FÃ DO ATTOMICA QUE EU FAÇO ESTA ENTREVISTA.

         PRA QUE NÃO SABE AINDA O ATTOMICA É UMA IMPORTANTE BANDA DA DÉCADA DE 80 QUE INICIOU SUAS ATIVIDADES EM 1985, FAZENDO UMA PAUSA EM 1992, E NOVAMENTE RETORNANDO AO UNDERGROUND. ATUALMENTE A BANDA É FORMADA POR João Márcio(G), João Paulo(g), Luciano Peru(V), André Rod(B) E Mario Sanefuji(D). ESTA ENTREVISTA FOI FEITA POR E-MAIL E RESPONDIDA PELO GUITARRISTA JOÃO MÁRCIO, EXCLUSIVAMENTE PARA O METAL PESADO, NOS LEVANDO A PERCEBER QUE OS CARAS ESTÃO VOLTANDO COM TODA A POTÊNCIA E FIDELIDADE AO VELHO E BOM METAL DA DÉCADA de oitenta

                                                                          Ronaldo Padula de Oliveira              

 

METAL PESADO: O ATTOMICA começou sua carreira em 1985, naquela época o metal nacional, e de uma forma geral, o mundial, passava por um momento  muito especial. Como era o desenvolvimento da banda naquela época? Como se deu o processo de formação?                                   

João Márcio: Bom, em 1985 já ouvíamos Slayer, Metallica, Anthrax e Exodus, porém as bandas nacionais estavam um pouco defasadas em relação a este estilo. Enquanto isso, a mídia estava divulgando bastante

Andre Rod, Luis Louco, Pyda Rod, Laerte Perr and Mario Sanefuji

em 1985

o Heavy Metal, devido a forte onda que o Rock in Rio trouxe para o país.

O Attomica, que sacou tudo isso na época, procurou desenvolver o seu som próprio, inspirado nas bandas gringas de Thrash da época, porém se preocupou muito mais com as composições e os ensaios, do que com as apresentações ao vivo. Por isso desenvolveu precocemente uma técnica diferenciada.

Sobre a formação, foi um processo de dissolução das principais bandas de Heavy Metal da cidade, resultando numa única banda,  mais objetiva, forte e inovadora.

 

MP : Que material a banda trabalhou antes de gravar o primeiro LP? Como surgiram as primeiras oportunidades?

João Márcio: A banda ficou mais de um ano ensaiando 4 horas por dia, seis dias por semana. Este trabalho foi registrado na Demo-Tape Children’s Assassins, que foi o cartão de visita da banda para as gravadoras e para a imprensa.

A primeira oportunidade foi dada pela revista Rock Brigade, que divulgou o Attomica na sessão Demo Assault. Depois, quando a band iria participar de uma coletânea pelo selo da revista, foi convidada a gravar um LP pelo selo Enigma de São Paulo.

 

MP: Em 1987 vocês lançaram o primeiro disco auto intitulado, que na minha opinião é histórico! Como se deu (tecnicamente falando) o processo de composição e gravação do mesmo?

João Márcio: O processo de composição foi neste longo período de ensaios que já comentei, onde a banda fazia as músicas na hora, com tudo ligado e com a participação de todos. Já os arranjos e as letras, inicialmente feitas em português, eram feitas em separado. Neste caso, o João Paulo fez todas as letras e arranjos, com exceção da música Samurai, na qual a letra foi feita pelo Mario.

A gravação foi feita entre os meses de julho e setembro de 1987. O estúdio tinha vinte e quatro canais e gravava de uma só vez a batera, o baixo e uma das guitarras, depois a outra guitarra, em seguida os solos e por último a voz.

A mixagem foi feita na presença da banda e gerou duas fitas master. Uma delas foi descartada. A outra virou o LP . Naquela época era muito difícil ter um amplificador bom (importado) e uma guitarra boa (importado). Nós usamos um amplificador importado e colocamos captadores importados nas guitarras nacionais que tínhamos.

 

Mario Sanefuji, João Márcio, Fabio Moreira, João Paulo e André Rod

MP: O álbum  de estréia de vocês é bem autêntico, e o mais curioso é a velocidade das músicas. Que tipo de influencias vocês tinham naquela época? Em que se inspiravam para compor as músicas?

João Márcio: É verdade, as músicas eram bem rápidas. As influências eram Exodus, Slayer e S.O.D., mas na verdade essa rapidez toda foi uma idéia do JP e do Mario em ser a banda mais rápida do mundo! Acho que essa foi a inspiração.

MP: De cara o disco teve uma boa aceitação do público e mídia, vocês tocaram em várias cidades do Brasil. Como foram estas experiências?

João Márcio: Foi muito bom! Na verdade foi a melhor coisa que aconteceu para o pessoal da banda até então. As experiências foram muitas, não dá nem pra lembrar de todas. Uma que foi inesquecível, foi ter dormido num barraco improvisado em um terreno baldio ao lado do Rainbow Bar na zona sul de São Paulo, após um show da banda. Outra marcante foi o primeiro show no ABC Paulista, onde o público simplesmente aclamou o Attomica. Em suma, conhecemos todas as bandas da época, tocamos juntos e detonamos tudo a nossa volta! Foi demais!

Detalhe: eu era Roadie da banda nesta ocasião.

 

MP:  Em 1989 a banda vem com o segundo disco intitulado “Limits of Insanity”, pela cogumelo, que era uma gravadora nacional muito forte  naquela época. Que importância teve tudo isso para a banda?

João Márcio:Assinar com a Cogumelo foi um passo muito importante para a banda, pois pertencer a uma gravadora naquele momento, fortaleceu mais ainda a imagem da banda na cena underground do país.

 

MP:   O disco vem com uma formação um pouco diferente, dando uma nova característica á banda. O que aconteceu, e que rumo a banda pretendia tomar já que estava em seu segundo disco?

João Márcio: O que aconteceu foi que o Laerte, primeiro vocalista da banda, saiu durante os shows do primeiro disco. Em seu lugar entrou Fabio Moreira, que antes da banda gravar este disco, também teve que sair da banda. No meio de toda esta confusão, a banda teve que cumprir com o contrato e decidiu por o Andre Rod como baixista e vocalista. Como ele possuía um timbre de voz bem diferente dos dois vocalistas anteriores, as músicas tiveram que seguir por um outro estilo. Não só por isso , mas também pela própria evolução musical dos integrantes na época, este disco soou um tanto diferente.

 

MP:  Já em 1991 a banda lança o disco Disturbing the Noise, ainda pela Cogumelo. O disco mostra um maior amadurecimento musical da banda, e mais uma vez o vocal é modificado. Se comparado com o primeiro disco se vê ainda mais nítida a diferença musical.

João Márcio, Mario Sanefuji, Fabio Moreira, João Paulo e André Rod em1992

Que tipo de experiência a banda buscava viver com este disco?

João Márcio:O Disturbing foi uma virada que a banda queria fazer para retomar o som agressivo e veloz do primeiro disco, porém ele distingue deste devido a forte influência do Slayer na época de composição das música. Isso, sem contar com o vocal do Fabio, que tinha uma tendência mais grave e agressiva.

Mesmo assim, creio que ele tem algumas características no Attomica 1. Muito mais que o Limits.

 

MP:  Disturbing the Noise foi um disco muitíssimo bem visto pela mídia, e pelo público. Que portas se abriram para a banda com este lançamento?

João Márcio: Foi simplesmente o disco que teve a maior turnê. Fizemos um video-clipe da música Deathraiser, que passa até hoje na MTV, abrimos shows pro Kreator em Brasília e São Paulo.

 

MP: Como vocês definem o estilo do ATTOMICA através dos daqueles tempos?

João Márcio: Porrada, pesado e barulho! Esse era o termo utilizado por nós na época. Já a  mídia usava o termo Death Thrash Metal.

 

MP:  Sendo que a banda já estava bem estabilizada, o que aconteceu de fato para que “acabasse” sua trajetória?

João Márcio: Nós estávamos no momento do vai ou racha quanto a uma turnê no exterior, porém nós nos desentendemos com a empresária na época e perdemos todo o andamento das negociações. Depois disso, perdemos o tesão, pois já tínhamos tocado em todos os lugares possíveis no país. A partir daí, cada um resolveu cuidar da sua vida e procurar um meio de sobrevivência mais garantido. Com isso, as atividades do Attomica acabaram.

 

João Márcio, João Paulo, Luciano Peru, André Rod e Mario Sanefuji em 2003 

MP:  Vocês estão retornando agora e já começaram a trabalhar nisso em 2002. Qual a proposta musical que a banda vem trazendo?João Márcio: A proposta é trazer o metal para a sua essência, mostrando que o estilo não precisa de mistura de rítmos e melodia acessíveis. Nós queremos dar continuidade ao que deixamos há dez anos. Som com energia, atitude e peso!

MP: Vocês estão compondo material novo? Quando pretendem colocar na praça um disco novo?

João Márcio: Na verdade fizemos seis músicas, porém resolvemos parar com as composições e preparar o repertório dos shows da volta, que iniciarão em junho deste ano. O CD novo fica para o fim do ano. Até lá, estaremos soltando algumas surpresas no mercado.

 

MP: O que vocês acham de toda essa mudança quem vem acontecendo com o metal em geral, como o uso de instrumentos  e recursos nunca imaginados sendo que o ATTOMICA vem de uma época que se aplicava basicamente guitarra, baixo, bateria e vocal?

João Márcio: Eu particularmente não curto muita mistura e muitos instrumentos diferentes numa banda de Metal. Acredito que deva ser esta a opinião do resto do grupo. Mesmo assim, temos que respeitar as novas tendências, pois elas são o futuro das novas gerações, assim como o Thrash e o Death foram pra nós.

 

MP: Que mensagem o ATTOMICA passaria aos novos e aos velhos conhecedores da banda?

 João Márcio: Aos novos, diria para eles não deixarem de ouvir Attomica ou irem a um show, pois garanto-lhes que será uma experiência boa!

Aos velhos, agradecemos a força durante os anos de atividade, e agradecemos as mensagens positivas deixadas em nosso site (http://www.attomica.hpg.com.br). Voltamos por vocês!

Um grande abraço a todos!